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Capital humano é chave em empresas e países
Para Ricupero, dez países menos corruptos investem em educação e
bem-estar dos cidadãos
O Estado de S. Paulo
Quinta-feira, 31 agosto de 2006
A qualidade dos recursos humanos está diretamente vinculada à
qualidade das instituições e até ao nível de corrupção dos países.
Essas idéias abriram o 32º Conarh, com a participação especial de
Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda (1994) e do Meio Ambiente
(1993), ex-secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Unctad) e atual diretor da Faculdade de Economia e
Relações Internacionais da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap).
A própria governabilidade das nações estaria em jogo, como os
recentes escândalos de corrupção no País teriam mostrado, afirmou
Ricupero. Segundo ele, os dez países menos corruptos do mundo da
lista da ONG Transparência Internacional (Islândia, Finlândia, Nova
Zelândia, Dinamarca, Cingapura, Suécia, Suíça, Noruega, Austrália e
Áustria) dão destaque à educação e bem-estar de seus cidadãos. "A
atenção e a melhoria do homem devem ser a mola central dos governos.
O desenvolvimento não é apenas riqueza material, de renda, mas
também um processo de educação contínua."
A sociedade da informação - hoje reduzida a um clichê, para Ricupero
- deve ser encarada como um fenômeno irreversível, e o conhecimento,
como fator essencial de competitividade. "A informação organizada
gera o conhecimento. E não há um setor da economia moderna, mesmo os
mais tradicionais, como a agricultura, que viva hoje sem
conhecimento." O conhecimento seria, então, a tarefa de gerir
sociedades complexas, acrescentou. "O desenvolvimento vai estar
baseado na qualidade dos recursos humanos, que serão capazes de
gerir complexidade."
Em outra análise, Ricupero discutiu o quadro curioso apresentado
pelo Brasil. "São ilhas de excelência separadas por profundos golfos
de ineficácia. O desenvolvimento tem de ser estendido a todos os
setores da sociedade", argumentou.
Ao tratar da educação no País, o ex-ministro afirmou já termos
passado da fase de pensar em quantidade. "É preciso melhorar a
qualidade, em especial da escola pública, e inserir maior
flexibilidade no ensino, com mudanças curriculares e de grade
horária e introdução de novos cursos." Mas fez uma ressalva: não se
deve vender educação como solução mágica. "Educação por si própria
não faz milagres. Ela tem de fazer parte de um projeto integral de
sociedade."
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